sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Autoridade Forjada.

A cultura de aversão ao estudo de Teologia, principalmente no ambiente neo-pentecostal, abriu espaço para o surgimento de lideranças carentes de conhecimento bíblico. Isso trouxe sérios prejuízos ao conhecimento e ao ensino da Palavra nos púlpitos de nossas igrejas.

Essas lideranças, além de leigas, propagam, erradamente, que seus seguidores "não devem tocar nos ungidos do Senhor." Homens despreparados são treinados por instituições religiosas, cada uma com a sua própria agenda, para estar à frente de rebanhos e exercer autoridade eclesiástica sobre seus membros.

Lavagem cerebral, abuso espiritual e distorção da Palavra substituem o ensino didádico e o exame sistemático das Escrituras. Liberdade de expressão não existe e interpretações divergentes da dos líderes não são bem recebidas internamente.

Além de estabelecer a impunidade eclesiástica no sistema interno do grupo, esse tipo de autoridade não se fundamenta no caráter cristão e nas suas virtudes; não é espiritualmente genuíno nem divino; não tem o respaldo das Escrituras no Novo Testamento e não é requisito do Espírito Santo para se anunciar as boas novas.

"E, aconteceu que concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina. Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas." (Mt. 7:28-29)

Enquanto os escribas e fariseus forjaram uma autoridade com base em suas posições eclesiásticas, Jesus exerceu uma autoridade reconhecida pelo povo. A autoridade que vem de Deus é, acima de tudo, admirada. Já a autoridade forjada pelos fariseus, é temida. O que é de Deus causa admiração, o que é do homem causa temor.

Pode não ser tão fácil discernir, num líder, se a sua autoridade vem de Deus. Mas todo mundo reconhece muito bem um fariseu e/ou escriba: eles gostam dos primeiros lugares e dependem de honras humanas e saudações nas praças. Suas orações suscitam o orgulho religioso. Se acham melhores do que os outros, cumprem rituais e guardam leis. Jesus denunciou seus comportamentos e seus equívocos.

Não há maior fonte de autoridade, poder espiritual e credibilidade do que o testemunho de vida pessoal. Muito embora o poder da Salvação esteja na mensagem, e não no mensageiro, muitos caem na armadilha de buscar glória pra si através da religião. A tentação é grande e o estrago consequente é maior ainda.

O verdadeiro pastor de ovelhas apascenta o seu rebanho utilizando-se dos atributos de Cristo: mansidão, humildade, amor e misericórdia. Sua fonte de inspiração única é a cruz de Cristo e o seu recurso é a sã doutrina.

O verdadeiro ministério exercido no Espírito edifica, conforta, equipa, liberta e encomenda o crente à Graça de Deus; independente da agenda da liderança ou denominação.

Entretanto, ao impor a sua própria agenda, o pastor que se auto-intitula "ungido",  acaba por usurpar o lugar do Rei dos reis, e se coloca numa posição de superioridade e de idolatria. Esse, portanto, é o verdadeiro alvo das denúncias de Jesus nos evangelhos, e, nos nossos dias.

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