sábado, 2 de novembro de 2013

"Caídos da Graça"?

A autoridade forjada assemelha-se à "autoridade dos Fariseus e Escribas", postulada por um sistema religioso, que causa medo nas pessoas.

Ela é distinta da autoridade de Jesus, que foi concedida por Deus e reconhecida pelo povo - porque Ele não falou como os fariseus.

Além disso, ela tem como objetivo legislar o comportamento dos fiéis e, por isso, enfatiza o desempenho comportamental de seus membros.

Obediencia e submissão são palavras-chaves nesse contexto autoritário e extremamente legalista.

A liderança que exige a presença de seus membros em cultos, reuniões, encontros e demais atividades relacionadas à igreja, por exemplo, perdeu o foco do verdadeiro objetivo do Evangelho de Cristo.

Ora, como foi que as pessoas receberam a graça de Deus? Certamente não foi por merecimento, nem por frequentar cultos, reuniões e encontros.

Será que uma reunião com muitas pessoas é mais abençoada do que outra com apenas dois ou três?

Nossos eventos precisam ter mais de algumas centenas ou milhares de pessoas para "sentirmos a presença de Deus"? Certamente que não.

Portanto, precisamos rever nossos valores, pois a bíblia não nos ensina a sermos bonecos ou robôs programados e dominados por lideranças que valorizam mais o comportamento humano do que as dádivas de Deus aos homens.

Pense: alguém seria realmente capaz de agradar a Deus através do seu comportamento/desempenho espiritual?

Será por isso que vamos à igreja? Para aprender como ganhar pontos com Deus (como se Ele estivesse contando)?

Sistemas religiosos que associam frequência aos cultos à obediência a Cristo estão fadados ao desgaste e ao desastre.

A Palavra nos ensina que Deus olha para o coração.

É bem possível que estejamos indo à igreja por outros motivos, que não sejam os de louvar a Deus e dar a Ele glória.

Podemos estar frequentando reuniões apenas para marcar ponto, ou mostrar para o pastor que estamos presentes, ou convencer as pessoas que somos espirituais, ou simplesmente por medo de sermos julgados.

A verdade é que se Cristo é por nós, quem será contra nós?

O legalismo religioso não é garantia de Graça.

Aceitamos os benefícios da Graça na vida do mais vil pecador, mas até quando vamos ficar sem compreender e aceitar a Graça, surpreendente de Deus, na vida do crente?

Por mais que sistemas religiosos tentem nos convencer de que o desempenho espiritual é necessário, a Palavra nos assegura que Deus nos amou de "tal maneira", que até a nossa justiça é como trapos de imundícia, e nada podemos fazer para alcançar a Sua Justiça, exceto crer no Filho.

Que Deus nos dê graça para gozarmos mais da Sua GRAÇA, e, tirar o Legalismo, de uma vez por todas, da nossa jornada com Ele.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Autoridade Forjada.

A cultura de aversão ao estudo de Teologia, principalmente no ambiente neo-pentecostal, abriu espaço para o surgimento de lideranças carentes de conhecimento bíblico. Isso trouxe sérios prejuízos ao conhecimento e ao ensino da Palavra nos púlpitos de nossas igrejas.

Essas lideranças, além de leigas, propagam, erradamente, que seus seguidores "não devem tocar nos ungidos do Senhor." Homens despreparados são treinados por instituições religiosas, cada uma com a sua própria agenda, para estar à frente de rebanhos e exercer autoridade eclesiástica sobre seus membros.

Lavagem cerebral, abuso espiritual e distorção da Palavra substituem o ensino didádico e o exame sistemático das Escrituras. Liberdade de expressão não existe e interpretações divergentes da dos líderes não são bem recebidas internamente.

Além de estabelecer a impunidade eclesiástica no sistema interno do grupo, esse tipo de autoridade não se fundamenta no caráter cristão e nas suas virtudes; não é espiritualmente genuíno nem divino; não tem o respaldo das Escrituras no Novo Testamento e não é requisito do Espírito Santo para se anunciar as boas novas.

"E, aconteceu que concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina. Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas." (Mt. 7:28-29)

Enquanto os escribas e fariseus forjaram uma autoridade com base em suas posições eclesiásticas, Jesus exerceu uma autoridade reconhecida pelo povo. A autoridade que vem de Deus é, acima de tudo, admirada. Já a autoridade forjada pelos fariseus, é temida. O que é de Deus causa admiração, o que é do homem causa temor.

Pode não ser tão fácil discernir, num líder, se a sua autoridade vem de Deus. Mas todo mundo reconhece muito bem um fariseu e/ou escriba: eles gostam dos primeiros lugares e dependem de honras humanas e saudações nas praças. Suas orações suscitam o orgulho religioso. Se acham melhores do que os outros, cumprem rituais e guardam leis. Jesus denunciou seus comportamentos e seus equívocos.

Não há maior fonte de autoridade, poder espiritual e credibilidade do que o testemunho de vida pessoal. Muito embora o poder da Salvação esteja na mensagem, e não no mensageiro, muitos caem na armadilha de buscar glória pra si através da religião. A tentação é grande e o estrago consequente é maior ainda.

O verdadeiro pastor de ovelhas apascenta o seu rebanho utilizando-se dos atributos de Cristo: mansidão, humildade, amor e misericórdia. Sua fonte de inspiração única é a cruz de Cristo e o seu recurso é a sã doutrina.

O verdadeiro ministério exercido no Espírito edifica, conforta, equipa, liberta e encomenda o crente à Graça de Deus; independente da agenda da liderança ou denominação.

Entretanto, ao impor a sua própria agenda, o pastor que se auto-intitula "ungido",  acaba por usurpar o lugar do Rei dos reis, e se coloca numa posição de superioridade e de idolatria. Esse, portanto, é o verdadeiro alvo das denúncias de Jesus nos evangelhos, e, nos nossos dias.

Corpo de Cristo ou Controle Mental?

As seitas (ou grupos controladores/dominadores) têm uma característica em comum: o jogo do controle mental.

O objetivo é amedrontar e fazer crer que o mundo (fora do ambiente da seita) é um lugar perigoso para os seus membros, e que somente dentro da seita há proteção.

A liderança costuma ser a única fonte de informação (ainda que escassa) para os seus seguidores. Os que questionam e/ou se levantam contra seus líderes são tidos como infiéis, rebeldes, caídos e instrumentos do diabo. Ou seja, num ambiente típico de seita, a liderança tem sempre razão.

O argumento de que cada membro tem que fazer "parte do corpo de Cristo" é normalmente usado fora do contexto bíblico, como pretexto para aprisionar e, consequentemente, controlar membros.

Difícil entender que o vínculo de um membro ao "corpo de Cristo" não é terreno/material, e não está associado ao fato de pertencer a um grupo qualquer. A falsa sensação de segurança, por fazer parte de um grupo religioso organizado, e que se diz exclusivo, é uma grande ilusão.

A verdadeira igreja, corpo de Cristo, é invisível, espiritual e universal.

Ela não se limita à denominação e nem está restrita à liderança alguma. Nesse caso, podemos dizer que a igreja não é um monstro com várias cabeças (lideranças), pois o único Cabeça é Cristo, obviamente.

Isso significa que ninguém está obrigado a concordar com a sua liderança, ou se sentir na obrigação de seguir suas cartilhas religiosas.

Grupos controladores proliferam-se em todas as partes do mundo e não são necessariamente nenhuma novidade moderna, pois eles sempre existiram na história da igreja cristã. Mas, o contexto atual assusta pela facilidade com que esses grupos crescem no Brasil e conseguem rapidamente exercer grande poder religioso, economico e até político na nossa sociedade.

Sua capacidade de influência comportamental e social sobre as pessoas não pode ser desprezada e, em muitos casos, ela representa real ameaça ao bem estar da sociedade.

Aproveito o dia de hoje, em homenagem à Reforma Protestante, para fazer algumas reflexões.

Infelizmente, o cenário evangélico que se apresenta hoje não representa meu sentimento de "ser cristão."

Ao abraçar novidades bizarras de igrejas neo-pentecostais e/ou ao buscar respostas materiais na Teologia da Prosperidade - e em suas primas (e.g. "faça a obra de Deus e Deus cuidará da sua família e dos seus negócios) - muitos esquivaram-se da sã doutrina e se afundaram em decepções, frustrações e inestimáveis prejuízos na vida social, profissional, financeira e familiar.

Esse quadro descrito acima é uma realidade triste na vida de muitas pessoas sinceras e bem intencionadas que caíram nas armadilhas de líderes religiosos sem escrúpulo, que se auto-intitulam pastores, seja do alto ou baixo clero, mas que na verdade buscam ganhos materiais, fama pessoal e o direito de oprimir os outros.

Está na hora de fazer o caminho de volta.

O lado positivo dessa verdadeira crise silenciosa que aflige milhares de cristãos (me recuso a usar a expressão "evangélico", pois não me considero evangélico, assim como não sou melhor ou pior do que ninguém, apenas mais um cristão, como outro qualquer, na busca da verdade e do verdadeiro ensino de Cristo) é que ela pode representar uma oportunidade real de um retorno às Escrituras Sagradas.

Os reformadores lutaram contra as mordaças de sistemas religiosos autoritários no passado. A história se repete e só muda o endereço.

Chegou a hora de pensar, refletir e questionar. Líderes eclesiásticos não estão acima do bem e do mal. Suas palavras precisam ser colocadas em cheque, SEMPRE!

Precisamos desesperadamente de mais Bereianos, como na igreja primitiva, e de mais Luteros, como na Reforma Protestante, e por que não, de mais Gandhis - "comece em você, a mudança que deseja ver no mundo" (Gandhi).

Reforma já!